Perdão Sem Limites
Esta música veio de um lugar muito vulnerável de mim, deixando-me como se eu estivesse nu diante do mundo. Realmente, não tinha pretensões de abrir minha vida assim, porque quando eu estava sendo forçado (sim, forçado) a compor esta canção, eu não me sentia convencido pela mensagem chave. Toda a minha infância, adolescência e a primeira parte da minha vida adulta foi marcada por uma relação muito difícil com meu pai. Não preciso falar em detalhe, não aconteceu nada impuro ou inapropriado, mas a experiência foi suficiente para encher-me de raiva e ódio, guiando-me para um estado de depressão constante que se manifestou em numerosos vícios. Sempre furioso, eu rangia dentes no sono, sofria com insônia, e meus cabelos começaram a tornar-se brancos bem cedo. Vocês vem o que acontece quando optam por não perdoar? Enquanto isso, a pessoa por quem você guarda o rancor geralmente dorme bem, sem problema nenhum, sem pensar em como suas ações tem atingido você.
Eu tive que dar-me conta de que se eu não deixasse minha ira por meu pai, e perdoá-lo pelas coisas injustas que ele fez, Deus não perdoaria meus pecados. O grande Pai Nosso diz, “...e perdoa nossas ofensas, ....etc.” Melhor dito, “se eu não fizer minha parte, não esperarei que Deus faça a Sua parte”. Passei muitas noites em claro, ponderando no conselho que muitos amigos e parentes me deram: “Chris, você tem que aprender como perdoar”. Por fim, eu olhei no espelho uma manhã bem cedo, vi meu rosto abatido e, cansado dos anos de ser possuído pela ira, que eu até tinha toda razão em guardar, falei: “tem que haver uma vida melhor... se perdoar é a única coisa que preciso fazer pra ter uma vida que vale a pena viver, pra ser livre desta depressão, então será o maior presente que eu me darei...”
Não foi fácil. Veja bem, todos nós achamos que para escolhermos perdoar, o perdoado primeiro deveria reconhecer o peso das suas ações, e como nos atingiu. Nada poderia ser mais longe da verdade! “Perdoar” basicamente diz, “Eu carregarei o peso de sobreviver a mágoa que sofri por causa das suas palavras e ações sem culpar você”. Deixa-me explicar como eu consegui fazê-lo. Havia muitas pessoas orando por mim, entre elas uma mãe que teme a Deus e que olhava o que os anos de fúria e ira estavam atingindo a vida do filho. Ela encontrou uma matéria numa revista da igreja chamada: “Como praticar a arte de perdoar”. Eu li, e orei para que meu coração fosse aberto à mensagem que realmente achei absurdo, porque eu tinha toda razão pra guardar a raiva. Eu jamais pedi para nascer, menos ainda pedi que fosse nascido de um pai que me ia maltratar. O artigo da revista basicamente falou que o perdão é um processo de duas partes. Parte 1: Perdoamos porque é o que Jesus quer que façamos. Parte 2: Devemos continuar a pedir ao Senhor pelo espírito de perdão, porque diariamente estaremos sendo atacados pelas conversas, pensamentos, eventos e memórias do mal que temos sofrido. Essas coisas têm o potencial de empurrar-nos ao estado original do qual acabamos de arrepender-nos. Enquanto imploramos o nosso Salvador pela força de continuar perdoando, pouco a pouco chegamos ao ponto onde somos capazes de lidar com as coisas que nos lembram do passado, porque enquanto ponderamos o passado, nossos corações não responderão com a mágoa e raiva. Estou falando a verdade, porque antes não conseguia contar esta história sem a ira se manifestar no meu corpo. Hoje, posso contar essa história e me regozijar, porque a raiva não me possui assim como antes. Eu agradeço o Senhor pelas orações das pessoas que me amam.
Perdão Sem Limites foi composta 2 anos antes do sua estréia. Eu tentei evitá-la, tentei compor outras musicas durante o tempo em que recebia a mensagem dessa música, mas eu ouvia a voz de Deus falando muito claro pra mim, “Não, não. Tu vais completar Perdão Sem Limites primeiro!”. Bem, eu completei a musica, e então eu tive uma dessas experiências quando “caiu a ficha”. Eu fui pra igreja um sábado, e de repente eu notei que uma garota com quem eu havia saido estava na mesma sala comigo. Eu não a tratava muito bem, e realmente estava evitando contato. Outra coisa, eu era um péssimo namorado... há uma lição mui importante aqui: quando decidimos não perdoar, e a ira e vingança reinam supremos no coração, entramos numa bola de neve que vai atingindo cada canto de nossas vidas, mesmo sem a nossa permissão. “Corações que odeiam não conseguem amar”. Eu aprendi esse fato através dos namoros fracassados. Meu pacto de jamais deixar que ninguém me magoasse me causou fechar as portas do meu coração pra que o mundo ao redor não entrasse.
Realmente, eu não tinha a mínima idéia do que ia acontecer esse sábado de manhã. Percebendo meu desconforto ao encontrar-me na sua presença, ela notou que eu estava procurando como escapar, e então me falou bem direto, sem raiva: “Gylchris, passei muito tempo pensando nisto... você me magoou... profundamente. Mas, eu escolho perdoar-te.” Essas palavras fizeram minhas orelhas queimar com descrença. Envergonhado, duma maneira eu consegui sussurrar, “obrigado”. Preciso admitir, sentiu muito bem saber que eu não tinha que fugir mais, que por fim eu poderia voltar a olhar nos olhos dela, e reter alguma parte do seu respeito. “Uau,” pensei. “Se ela pode me perdoar, então eu tenho que ser capaz de perdoar meu pai...”
Durante um período de 2 anos, eu me recusei cantar esta nova canção até que meu coração ficasse totalmente convencido pela mensagem nela contida. Diariamente Deus me deu a força de entregar-Lhe meu orgulho e fazer o que Jesus pedia: dizer para meu pai, “Ainda que você não reconheça o que fez, eu escolho perdoar você. É o que Deus quer que eu faça.”
Amigos, eu era um cara depressivo de 27 anos, com uma atitude muito cínica e tornei-me quase uma criança de novo. O contato entre nós que antes era reservado e evitado de repente abriu, um pouco estranho na começa, devido aos anos de afastamento; mas eu descobri um propósito em entrar em contato com ele, porque foi um desejo que Deus inspirou em mim. Antes, eu odiava a palavra “papai” e preferia chamá-lo “senhor”. Ter recebido a graça de Deus de perdoar me livrou pra ser capaz de chamar meu velho “papai”. Eu agradeço meu Senhor Deus por jamais ter-me abandonado, e mais, Ele me deu mais uma oportunidade de ser um filho ao homem cujos genes também são meus, cujo sorriso bonito eu também levo, cujo compromisso a servir aos outros e compartilhar seu sucesso têm influenciado minha moral. Comparando minha vida presente com a que antes era, lhes digo honestamente, sem dúvida nenhuma, eu não quero voltar atrás. Consigo dormir de noite. Sou livre pra amar, e aceitar o amor dos outros. Meu Deus é tremendo!!! Uau... Papai – tão maravilhosa essa palavra, já que sou livre pra saber o que ela realmente significa...
Não se pode amar com ódio no coração
Em tua vida ninguém pode mais entrar.
E se você quiser tudo mudar,
Deve orar, e a si mesmo entregar!